Por Morgana Neves MontalvãoO mercado de aluguel de DVDs em Salvador demonstra evidentes sinais de crise. A pirataria contribui para que a situação se agrave, fazendo com que muitas lojas fechem as suas portas, ou diversifiquem o foco, vendendo livros e revistas ou anexando lan-houses e lanchonetes, para aumentar a sua renda. É nítido que o mercado nacional está a cada ano em retração, dando claros sinais de estagnação. Além de a pirataria contribuir em quase 100% para a crise no setor, a taxa de impostos juntamente com o alto preço de venda das distribuidoras de filmes para as locadoras, contribuem para que o aluguel saia em média por filme de R$3,50 a R$5,00, desestimulando o cliente a locar , já que da internet, ele pode baixar e assistir de graça. O A TARDE On Line, em 24 de julho deste ano, divulgou os dados da Associação Brasileira das Empresas de Vídeo, que das 12 mil lojas abertas no País em 2007, apenas três mil sobreviveram à invasão dos DVDs piratas e que o mercado que já empregou 75 mil pessoas, hoje, emprega 22,5 mil.
A pirataria movimenta um mercado negro bilionário, chegou a US$ 520 bilhões de dólares no mundo no ano passado. Só no Brasil, segundo o último relatório a Polícia Federal, o mercado movimentou R$ 52 bilhões entre janeiro 2007 e dezembro 2008, fazendo com que o país deixasse de arrecadar R$ 30 bilhões em impostos. Até o presidente Lula assistiu ao filme 2 Filhos de Francisco em cópia pirata de DVD, antes mesmo do filme ser lançado. O “exemplo” foi divulgado em toda a mídia.
Estima-se que há 30 locadoras na cidade e que dificilmente o mercado voltará como antigamente, como há quatro anos, quando o DVD ficou acessível e todo bairro de Salvador possuía no mínimo três locadoras.
O custo final de um DVD ou CD está embutido no seu processo de fabricação. A alta carga tributária contribui para elevar o preço do produto, assim, torna-se difícil concorrer com o pirata, que custa muito mais barato. Todos usam a internet para baixar arquivos, músicas, filmes e até livros. Até que ponto podemos utilizar este recurso a nosso favor, sem prejudicar o mercado? Utilizar estas ferramentas da internet para uso pessoal sem fins lucrativos pode ser favorável, pois possibilitam que as pessoas troquem ,repassem e adquiram informações e conteúdos, movimentando e atualizando constantemente a rede mundial de computadores. O grande problema é quando esta prática passa ser comercial, quando as pessoas passam a baixar e copiar ilegalmente músicas e filmes e a partir daí ganhar dinheiro com isso. Por mais que os preços sejam abusivos, destoante do padrão aquisitivo de grande parte da população, o brasileiro não pode ser conivente com a pirataria, dando o seu famoso “jeitinho” para sair sempre por cima, levando vantagem, tanto na esfera privada quanto na pública. Critica-se tanto o Congresso Nacional e os políticos, quando na verdade, deveríamos olhar para o nosso próprio comportamento.
Brinquedos, roupas, produtos de beleza, calçados, preservativos e até medicamentos, são pirateados, tudo, absolutamente tudo, tem que ter uma versão “genérica”- mais em conta, que faz o mesmo efeito. Mas, será possível acabar com a pirataria? A partir do momento que a pirataria surge com preços mais chamativos, as distribuidoras de filmes deveriam diminuir o preço das suas mercadorias, o que não seria queda nos lucros, e sim aumento de vendas que geraria um lucro maior no saldo final, diminuindo o valor da locação por filme, tornando-se muito mais fácil para o mercado competir com os DVDs piratas. Os abusivos impostos cobrados pelo governo também deveriam ser menores, assim contribuiriam bastante para que o preço fosse acessível ao consumidor.
As associações que representam a categoria de videolocadoras como Associação Brasileira das Videolocadoras (ABV) e a Associação Baiana das Empresas de Vídeo (ABEVídeo), juntamente com os órgãos públicos competentes, devem combater sistematicamente a pirataria. Medidas mais rígidas e fiscalização constante funcionariam para coibir e diminuir o número de vendedores em sinais e estações de ônibus da cidade, daí o trabalho conjunto entre as secretarias e estas associações para conscientizar a sociedade que a pirataria traz grandes prejuízos para a economia. Seria interessante também, que as locadoras criassem um tipo de bônus para aquecer o mercado. Ao locar uma determinada quantidade filmes, o cliente poderia escolher o que gostasse e o levaria para casa, como uma gratificação, além de ganhar ingressos para ver o filme que quisesse. Este tipo atitude chamaria muitos clientes de volta para as locadoras e traria conseqüentemente mais lucro para os proprietários.
Os discos e produtos piratas, além de possuírem qualidade inferior, podem danificar o aparelho reprodutor de DVD e conseqüentemente prejudicar a saúde de que os usa. No final, o barato poderá custar muito, muito caro.